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IA em tudo: Gemini chega ao Maps, Tinder analisa seu rolo da câmera e a OpenAI vira 'for profit'

Essa semana temos

📉 Mercado: A consultoria DeVere Group alerta para uma "bolha" nos valuations de IA, prevendo um "choque de realidade", enquanto investidores (como Michael Burry) começam a apostar contra o setor.

💰 Estrutura: A OpenAI concluiu sua reestruturação e agora é oficialmente uma empresa com fins lucrativos, elevando seu valuation para US$ 500 bilhões e liberando captações de investidores como o SoftBank.

🗺️ Navegação: O Google Maps está integrando o Gemini para permitir o uso de comandos de voz complexos (sem usar as mãos) e para aprimorar a navegação usando pontos de referência visuais do Street View.

🧪 Pesquisa: A Microsoft criou um "mercado falso" para testar agentes de IA e descobriu que os modelos atuais (incluindo GPT e Gemini) falham, sendo vulneráveis à manipulação e à sobrecarga de opções.

❤️ Engajamento: Para reverter 9 trimestres de queda, o Tinder aposta na IA com um recurso que (com permissão) analisará o rolo da câmera dos usuários para entender seus hobbies e sugerir melhores matches.

📉 Vem aí um choque de realidade para os valuations de IA, diz CEO da DeVere

Segundo uma das principais consultorias financeiras globais, o mercado começou a questionar se os lucros acompanharão o rali dos valuations.

O hype dos valuations nas empresas de inteligência artificial segue em alta, mas cada vez mais começam a aparecer vozes dissidentes apontando uma bolha no mercado, e um "choque de realidade" pode chegar muito em breve. Quem reforça esse coro é o CEO da DeVere Group, uma das principais consultorias globais de investimento.

Segundo o CEO da DeVere, Nigel Green, as recentes quedas em bolsas como a Nikkei sugerem que uma correção nas avaliações de empresas de IA e tecnologia está se formando. Mercados asiáticos registraram suas maiores baixas em meses, futuros europeus apontaram queda e moedas sensíveis ao risco perderam valor.

Conforme avalia Nigel, a reversão acentuada é um indício de que investidores começaram a questionar se as avaliações recordes em IA e tecnologia realmente vão gerar lucros no futuro.

“As avaliações de IA e tecnologia vêm crescendo mais rápido do que os lucros há algum tempo”, diz o executivo. “A inovação é real, mas a lucratividade ainda precisa se provar. Agora, os mercados estão pedindo evidências, não mais expectativas”.

Segundo ele, essa nova onda de liquidações – como a abrupta queda de 14% nas ações do SoftBank, um dos principais financiadores da OpenAI – reflete um reconhecimento de que o forte rali, liderado por um pequeno grupo de gigantes de tecnologia, se tornou frágil.

“Quando um grupo tão pequeno de empresas carrega tanto peso no mercado, qualquer perda de confiança nelas pode gerar reações desproporcionais. O que estamos vendo não é pânico, mas sim uma redescoberta de preços após meses de excesso de otimismo”, pontua Nigel.

Nigel Green diz que a correção, embora desconfortável, é uma fase necessária para um crescimento sustentável. “Ela força os investidores a distinguir entre as empresas que geram produtividade real e as que vivem apenas de potencial”.

⚠️ Fortes Sinais de Alerta

A declaração de Nigel Green vem no rastro de outros movimentos recentes que levantam o alerta sobre o hype nos investimentos em IA:

  • Recomendação de VCs: VCs europeus estão recomendando às startups que façam novas rodadas o mais rápido possível, antes que a bolha de valorização “murche” e uma correção de mercado aconteça.

  • Aposta de Michael Burry: Michael Burry, o investidor que previu a bolha imobiliária dos EUA em 2008, se posicionou com o equivalente a US$ 1 milhão em opções de venda contra a Nvidia, sugerindo que sua valorização recorde (que bateu os US$ 5 trilhões) está exagerada.

Por enquanto, o mercado de IA segue aquecido. Dados da CB Insights mostram que os investimentos em IA em 2025 representaram 51% de toda a movimentação de venture capital, somando cerca de US$ 310 bilhões aportados no setor até o terceiro trimestre. A questão é: até quando?

💰 OpenAI conclui transição e agora é (oficialmente) uma empresa com fins lucrativos

Depois de meses de especulações, a dona do ChatGPT pode fazer captações e adquirir empresas sem as restrições legais anteriores.

Finalmente aconteceu. Após meses de dúvidas e contestações, a OpenAI anunciou a conclusão de sua reestruturação societária, configurando-se agora como uma empresa com fins lucrativos, embora ainda esteja sob o "guarda-chuva" de uma fundação sem fins lucrativos.

A nova estrutura prevê que a OpenAI Foundation (a entidade sem fins lucrativos) terá controle legal sobre o OpenAI Group, uma sociedade de benefício público que poderá captar recursos e adquirir empresas sem restrições.

📊 A Nova Estrutura Societária

Com a nova configuração, a divisão de participação da empresa com fins lucrativos fica assim:

  • OpenAI Foundation: Deterá 26% da empresa, com a opção de receber novas ações caso a companhia continue crescendo.

  • Microsoft: A investidora de longa data ficará com cerca de 27% de participação (avaliada em aproximadamente US$ 135 bilhões).

  • Outros: Os 47% restantes serão divididos entre investidores (incluindo fundos como SoftBank e Thrive Capital) e funcionários.

De acordo com o presidente da OpenAI, Brett Taylor, a fundação manterá uma participação relevante e será responsável por indicar o conselho de administração. Ele afirmou que a decisão se alinha aos valores da companhia, que acredita que "as tecnologias mais poderosas do mundo devem ser desenvolvidas de forma que reflita os interesses coletivos da humanidade".

“O encerramento da nossa reestruturação nos dá a capacidade de continuar expandindo as fronteiras da IA e uma estrutura corporativa atualizada para garantir que o progresso beneficie a todos”, destacou Taylor.

🚀 Desatando Nós para o Crescimento

A esperada transição de “non-profit” para “for profit” era vista como fundamental para a companhia buscar captações mais ambiciosas e sustentar seus planos agressivos de ser a "número 1" na corrida das IAs.

  • Valuation Elevado: Com o acordo, o valuation da OpenAI foi elevado para US$ 500 bilhões, visto que agora a empresa tem mais liberdade para suas operações comerciais.

  • Investimento do SoftBank: Em abril, o SoftBank anunciou um investimento de US$ 30 bilhões, que estava condicionado a essa transformação. O último repasse desse investimento foi concluído recentemente.

  • Acordo com a Microsoft: A Microsoft estendeu seus direitos de propriedade intelectual sobre os modelos da OpenAI até 2032.

A mudança também superou barreiras legais. Os procuradores-gerais da Califórnia e de Delaware autorizaram o processo, sob condições adicionais. Uma delas exige que a OpenAI “continue adotando medidas para mitigar riscos a adolescentes e outros grupos no desenvolvimento e implantação da IA e da AGI (Inteligência Artificial Geral)”.

🗺️ Google Maps incorpora Gemini para navegação inteligente e uso sem as mãos

A IA permitirá aos usuários fazer perguntas complexas ao bot enquanto dirigem, melhorar a navegação com pontos de referência e realizar mais tarefas.

No último ano, o Google adicionou diversos recursos de IA ao Maps para aprimorar a descoberta de lugares. Agora, a empresa está atualizando o aplicativo com o Gemini, seu modelo de inteligência artificial mais avançado.

🚗 O que muda na direção?

Enquanto dirigem, os usuários agora podem pedir ao Gemini para:

  • Responder perguntas sobre pontos de interesse na rota.

  • Buscar resultados sobre outros tópicos (como esportes ou notícias).

  • Realizar tarefas, como adicionar eventos ao calendário.

  • Fazer perguntas complexas em uma conversa. Por exemplo: "Há algum restaurante barato com opções veganas no meu trajeto, algo a alguns quilômetros de distância? ... Como é o estacionamento por lá?"

  • Relatar incidentes de trânsito.

Além disso, o Maps notificará proativamente os usuários sobre interrupções na rota à frente.

landmark Navegação Aprimorada com Street View

O Google também está adicionando um novo recurso que combina dados do Gemini com o Street View para aprimorar as instruções de navegação.

Em vez de dizer "vire à direita em 150 metros", o Maps agora mencionará um ponto de referência próximo, como postos de gasolina, restaurantes ou edifícios famosos, e o destacará antes que o motorista precise fazer a curva. A empresa afirmou que o Gemini cruza informações sobre 250 milhões de locais com imagens do Street View para identificar esses pontos de referência.

📸 Integração com o Google Lens

O Maps também ganhará a capacidade de responder a perguntas sobre o ambiente ao seu redor, graças à integração com o Google Lens. Usuários poderão apontar a câmera para locais de interesse e perguntar: "O que é este lugar e por que ele é popular?".

Os novos recursos de navegação do Gemini serão disponibilizados para iOS e Android nas próximas semanas, com suporte para Android Auto chegando em breve. A disponibilidade inicial de alguns recursos, como a navegação por pontos de referência e o Lens com Gemini, será focada nos EUA.

🧪 Microsoft cria "mercado falso" para testar agentes de IA — e eles falham de maneiras surpreendentes

Nova pesquisa mostra que os modelos de agentes atuais podem ser vulneráveis à manipulação e sobrecarga de informações.

Pesquisadores da Microsoft lançaram um novo ambiente de simulação projetado para testar agentes de IA. A pesquisa, conduzida em colaboração com a Universidade Estadual do Arizona, levanta novas questões sobre o quão bem os agentes de IA realmente funcionarão sem supervisão.

🏪 Bem-vindo ao "Mercado Mágico"

O ambiente de simulação, apelidado de "Mercado Mágico" pela Microsoft, foi construído como uma plataforma sintética para experimentar o comportamento desses agentes.

Um experimento típico pode envolver um agente-cliente tentando pedir o jantar de acordo com as instruções de um usuário, enquanto agentes-restaurante competem para ganhar o pedido. Os testes iniciais incluíram 100 agentes de clientes interagindo com 300 agentes de empresas.

Segundo Ece Kamar, vice-presidente corporativa da Microsoft Research, essa pesquisa é fundamental para entender as capacidades dos agentes. "Há realmente uma questão sobre como o mundo vai mudar com esses agentes colaborando, conversando e negociando entre si", disse Kamar.

🤯 As Falhas Surpreendentes

A pesquisa inicial analisou modelos líderes, incluindo GPT-4o, GPT-5 e Gemini-2.5-Flash, e encontrou algumas fragilidades significativas:

  • Vulneráveis à Manipulação: Os pesquisadores descobriram diversas técnicas que as empresas poderiam usar para manipular os agentes de atendimento ao cliente a comprarem seus produtos.

  • Sobrecarga de Opções: Foi notada uma queda acentuada na eficiência à medida que o agente-cliente recebia mais opções para escolher. "Queremos que esses agentes nos ajudem a processar uma grande quantidade de opções", diz Kamar. "E estamos percebendo que os modelos atuais estão ficando realmente sobrecarregados."

  • Dificuldade de Colaboração: Os agentes também encontraram dificuldades quando solicitados a colaborar em prol de um objetivo comum, aparentemente sem saber qual agente deveria desempenhar qual papel. O desempenho só melhorou quando receberam instruções explícitas sobre como colaborar.

Kamar conclui que, embora seja possível instruir os modelos passo a passo, o ideal seria que eles tivessem essas capacidades de colaboração por padrão.

❤️ Tinder usará IA para analisar o rolo da câmera dos usuários e reverter queda

Enfrentando nove trimestres consecutivos de queda no número de assinantes pagantes, o aplicativo de encontros aposta pesado na inteligência artificial para revitalizar seus resultados.

A Match Group, empresa criadora do aplicativo, informou aos investidores que o Tinder está testando um novo recurso chamado "Chemistry".

📸 Como funcionará o "Chemistry"?

A nova funcionalidade visa conhecer melhor os usuários através de duas frentes:

  1. Perguntas Interativas: O aplicativo fará perguntas diretas para entender o perfil do usuário.

  2. Acesso ao Rolo da Câmera: Com a permissão do usuário, a IA acessará as fotos do celular para aprender mais sobre seus interesses e personalidade.

A empresa afirma que isso permitirá recomendar combinações melhores e mais compatíveis. Presumivelmente, se você tiver fotos suas fazendo trilhas ou escaladas, o "Chemistry" poderia conectá-lo a alguém que compartilhe os mesmos hobbies ao ar livre.

O recurso já está sendo testado na Nova Zelândia e na Austrália e está planejado para ser um "pilar importante da experiência do produto Tinder em 2026".

📉 O Custo da Inovação e o Cenário Desafiador

Enquanto a empresa faz experiências com o Tinder, os resultados financeiros da Match estão sendo afetados. A previsão para o quarto trimestre inclui um impacto negativo de US$ 14 milhões na receita direta do Tinder como resultado dos testes do produto.

Isso ocorre em um momento delicado para o aplicativo:

  • Resultados do Q3: A receita do Tinder caiu 3% em relação ao ano anterior.

  • Usuários Pagantes: Houve uma queda de 7% no número de usuários pagantes.

O Tinder enfrenta um mercado difícil, onde alguns jovens estão se afastando dos encontros online em favor de experiências mais presenciais, enquanto outros usuários podem estar gastando menos devido à redução de sua renda disponível.

A IA não é a única novidade. A empresa também a utiliza em outras áreas, incluindo um sistema que avisa os usuários antes que enviem mensagens potencialmente ofensivas (perguntando: "Tem certeza?") e para ajudar os usuários a escolherem suas melhores fotos de perfil.